Sensibilidade não-celíaca ao glúten

Descoberta recentemente, ela se parece com a doença celíaca,
mas é mais difícil de diagnosticar e não prejudica o intestino


Uma doença que começou a ser estudada há poucos anos tem intrigado os gastroenterologistas: a sensibilidade não-celíaca ao glúten. Quem sofre com ela chega ao consultório com queixas semelhantes às de quem tem doença celíaca. A diferença é que, quando o paciente faz os exames, descobre que não tem os marcadores genéticos dos celíacos nem apresenta danos nas vilosidades do intestino.

Essa sensibilidade é uma reação menos severa à ingestão de alimentos com glúten do que a causada pela doença celíaca, aponta um dos maiores especialistas no assunto, o gastroenterologista Alessio Fasano, fundador do Centro de Pesquisa para Doença Celíaca, nos Estados Unidos. Seus principais sintomas são diarreia, dor abdominal, gases, perda de peso, dores nos ossos ou nas juntas, dormência nas pernas, dores de cabeça, confusão mental, dermatite e anemia.

Esses sinais, muitas vezes, confundem-se com os sintomas de outras doenças, como a alergia ao trigo e a síndrome do intestino irritável. Um consenso entre especialistas é que a sensibilidade não-celíaca não é uma alergia nem uma doença autoimune, e sim uma resposta imunológica ao glúten, pois alguns pacientes têm níveis variáveis de anticorpos contra a gliadina, uma das proteínas do glúten. Ao contrário da doença celíaca, ela não causa inflamação crônica nem danos permanentes ao intestino.

Esses sinais, muitas vezes, confundem-se com os sintomas de outras doenças, como a alergia ao trigo e a síndrome do intestino irritável.

Como a sensibilidade ao glúten muitas vezes se confunde com a alergia ao trigo e a síndrome do intestino irritável, ainda não há dados confiáveis sobre sua prevalência na população. Uma das pioneiras no estudo da doença, a médica Anna Sapone, estima em seu último artigo que mais pessoas tenham sensibilidade não-celíaca do que doença celíaca nos Estados Unidos, e que a doença atinja mais mulheres do que homens, na proporção de três para um.

Diagnosticar a sensibilidade não-celíaca não é fácil, pois não existem critérios confiáveis, especialmente pela falta de biomarcadores que denunciem a doença.

Diagnosticar a sensibilidade não-celíaca não é fácil, pois não existem critérios confiáveis, especialmente pela falta de biomarcadores que denunciem a doença. Por isso, um método usado pelos gastroenterologistas é prescrever uma dieta sem glúten para ver se os sintomas regridem. Em caso positivo, esses alimentos são reintroduzidos para checar se os sinais retornam.

Quando a sensibilidade é confirmada, seu tratamento consiste em uma dieta com quantidade reduzida de glúten – ou sua eliminação, em casos severos –, mas sob orientação médica, para repor vitaminas e minerais não encontrados em produtos sem glúten. Se ainda assim os sintomas persistirem, é preciso considerar como suas causas outros fatores, como intolerância à lactose ou má absorção de frutose. Como não se sabe se essa é uma condição permanente ou transitória, a recomendação de Fasano é reavaliar os pacientes (especialmente as crianças) a cada seis ou 12 meses.

Sensibilidade x doença celíaca

Confira alguns sintomas exclusivos de cada doença

Fontes: “Non-Celiac Gluten Sensitivity: Where Are We Now in 2015?”
escrito por Anna Sapone, Daniel A. Leffler e Rupa Mukherjee

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